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Revolta na França: crise do liberalismo, paralisia da esquerda no Mundo Rico

Confira o artigo publicado pelo economista, ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira
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Por Luiz Carlos Bresser-Pereira

As manifestações e quebra-quebras dos “coletes amarelos” (gilets jaunes) na França surpreendem a todos por sua violência e extensão. Há um semana atrás havia 300 ou 400 manifestantes na rua; no último sábado, 4.000. O que significa esta revolta popular irracional, sem objetivos e sem líderes claros? Essencialmente, significa a crise do liberalismo ou o neoliberalismo – uma ideologia que domina o Mundo Rico desde 1980 em nome de uma estreita coalizão de classes financeiro-rentista. Mas significa também a crise das esquerdas social-democráticas e desenvolvimentista que não têm uma alternativa a oferecer.

A revolta na França não é ainda uma manifestação da extrema-direita. O Fronte Nacional não participa dela. Os manifestantes não são apenas de extrema-direita; são também de extrema-esquerda, mas são principalmente cidadãos e cidadãs (é impressionante a participação das mulheres) insatisfeitos com a estagnação de seus rendimentos, ou, como dizem os franceses, com a perda do seu poder de compra (pouvoir d’achat).

Esta revolta tem sua contrapartida no “populismo” que estamos vendo nos Estados Unidos com Trump, no Reino Unido com o Brexit, na Hungria com Viktor Orban. Um populismo nacionalista sempre de direita. Porque a direita populista tem um programa: fechar o país contra a imigração e recuperar a soberania nacional cedida à globalização, ou seja, ao neoliberalismo. Um programa estreito e injusto, mas um programa.

Enquanto a hegemonia neoliberal entra em crise no Mundo Rico, o Brasil mergulha no neoliberalismo… Pobre Brasil, desorientado Brasil. Mas não é apenas o nosso país que precisa de um projeto nacional, social e ecológico – que precisa da intervenção moderada do Estado na economia, de uma política de diminuição gradual das desigualdades, e de uma política macroeconômica novo-desenvolvimentista, esta baseada no equilíbrio da conta-corrente, em uma taxa de juros mais baixa, e em uma taxa de câmbio que torne competitivas as boas empresas industriais brasileiras. Os países ricos também precisam desenvolver uma teoria novo desenvolvimentista adaptada às suas necessidades.

Mas na América Latina como no Mundo Rico a centro-esquerda social-democrática e desenvolvimentista está paralisada. As limitações reveladas pelas políticas econômicas keynesianas, pelo colapso do socialismo (com o qual ela se deixa confundir), e pela força da hegemonia ideológica neoliberal estão na base dessa paralisia. Que abre espaço para o irracionalismo da direita. Quando os progressistas no mundo ou no Brasil acordarão? Não sei dizer. Posso garantir apenas que isto só acontecerá quando tiverem um projeto.

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